Boulder Endorfina - POSSIVEL V11/12

Grillo - Descobridor do projeto Endorfina
Comecei a escalar a 5 anos. Logo que fui para a academia Granito em Tubarão pela primeira vez, de tanto que o Felipe Lorenzon me convidar, resolvi ir, e assim que o Lagartixa me mostrou o primeiro boulder no indoor, e fez os movimentos dando risadas (hoje ele ta gordo, acredita?? kkk) e me mostrando como se fazia, e eu, com uma sapatilha emprestada, tremendo, não conseguia chegar nem na quarta agarra do boulder... e era só um quintinho!!! Depois disso, comprei minha primeira sapatilha de um cara do RJ, e até este exato momento em que escrevo, não parei mais de escalar! Comecei pelo quintal de casa, escalando por Tubarão e pelos costões de Laguna. Confesso que sou amarradão neste tipo de escalada de rodapé, como diz meu amigo Marcio Hoerpks, mas fazer o que, não posso estar na montanha todo dia, e ela me dá preparo pras paredes! Neste curto trajeto de 5 anos, já abri entorno de uns 200 boulders, indo de graus tranquilos a VIIIc a CONFIRMAR, e mais uma dezena de vias. Alguns projetos de boulders foram ficando pra trás, até que fui conhecendo alguns parceiros que tinham a força suficiente para encadena-los, já que ainda não estou num nível de força assim e também não sei se vou chegar...
Sei que alguns escaladores das antigas já passaram pela região do Farol de Santa Marta, Garopaba e até por Laguna, então, ALGUNS boulders posso ter até só repetido, mas certamente que a grande maioria foi aberta por mim e mais outros escaladores locais, como o PH, que na época em que morava aqui em Tubarão, abriu praticamente mais de 90% dos boulders no morro da antena por exemplo, Capivari de Baixo entre outros setores, Leandro Campos, Tiago Gonçalves, Felipe Lorenzon, Gil e o Sapo por Laguna também e Bruno Alvez por Garopaba abriram mais uma penca.
Comprei um crashpad e saí escalando tudo que eu via pela frente pelos costões. Também abri junto com o Geferson Calvette os setores de Imbituba na Praia do Porto, lindo setor de vias e boulders e pela Praia da Ribanceira. La saiu mais umas dezenas de boulders e mais uns projetos. Batizei e sugeri o grau para os mais clássicos. Esta faltando catalogar melhor, mas no meu blog, no youtube, vimeo e no meu face tem bastante coisa. 
Logo comecei usar os clifs e parti pra serra, mas isso é outra história e você pode acompanhar no blog muitas matérias sobre.

Bom, em Laguna a uns 3/4 anos atrás, achei uma linha muito interessante em uma pedra que foi talhada antigamente, provavelmente para arrecadar pedras para a construção do molhes da barra. A pedra ficou um negativão forte, com agarras de tamanho médios mas ruins na saída, com uma sequencia de 4 regletes de meia falange dependendo do tamanho dos dedos, até a virada abaloada a 4 metros do chão. O escalador Eduardo Geovane "Sorriso", tem vindo direto pra cá nos festivais e campeonatos. Repetiu alguns boulders que eu havia aberto e vias, como a via Pircen no Mamilo Mediocre VIIIb/c, a extensão do boulder Eu sou o que Sou, agora V7/8, e deixou o boulder Azuleijo V9? aberto. Esse último com uma repetição do escalador Tiago Balen. O Sorriso vem treinando forte a tempos, é o atual campeão catarinense de escalada indoor por dois anos consecutivos. Apresentei esse projeto pra ele entorno de um ano atrás. Foram 4 investidas, com uma dezenas de tentativas. O maior problema neste boulder é a virada. Você esta a 4 metros do chão, com as mãos SUPER RUINS e tem de jogar o calcanhar pra cima para fazer o domínio e torcer pra que nenhuma parte do seu corpo "escape" da rocha, se não o voo é complicado!!! O Sorriso chegou aqui na terça feira, totalmente focado em fazer essa cadena. Passamos uns dias por Garopaba com o Bruno, já que estou de férias, e na sexta feira tocamos pra Laguna para ele tentar. Preparamos tudo e kamon! Foram muitas entradas e perdendo a virada... voltamos embora e descansamos para no sábado demanha ele tentar denovo. Tomamos um cafézão e logo partimos. Depois de dar um trato nas agarras, pois alem da altura da virada, temos o fator "babado", porque a pedra fica próximo do mar e a maresia com vento nordeste, algumas vezes toma conta das agarras... 

Sem mais blablabla, SEGUE O VÍDEO do boulder que acreditamos estar por volta da casa de V12. ATENÇÃO, antes de falar alguma coisa VEM FAZER A SEGUNDA CADENA, pra nos ajudar a confirmar o grau ok! Grau é A VISTA. Se vai ser menos que isso não sabemos, não nos importamos e não tem problema. Só sei que ficamos muito contentes com esse projeto realizado, muito bom para a escalada da região. Uma coisa é certa, vem preparado porque foi feito bastante força!

Forte abraço.
Nando-Grillo

Na Terra do CAM ( . )

Grillo - Morro da Mina - Paredôn
Fazia mais de 7 meses que não postava nada no blog, não andava muito animado com isso. Não sei se você vai ler tudo isso, também não me importo, mas se você gosta de FENDA, de história de montanha e conversa pra boi dormir, acho que vale a pena! Começou a temporada de inverno 2013 com o Filipe, Zig, Caramujo, Sapo, Bode, Tatu (eita bixarada!) escalando pela serra antes mesmo de o inverno começar oficialmente, e os caras vem abrindo cada via de deixar qualquer gringo de boca aberta, principalmente no Paredôn e na Serrinha. Eu não estava me encaixando até inicio de Junho, sem ir ao menos uma única vez pra serra. Era só resina e boulder na beira da praia, já não aguentava mais... claro que a escaladinha de 8 dias no Cipó no inicio do ano foi um espetáculo! Estava totalmente instigado a subir a montanha, então decidi que Junho não tinha erro e começaria de uma vez por todas minha temporada serrana! Então consegui encaixar com o Filipe e o Geferson, a continuação de uma conquista no Morro da Mina, também conhecida como Paredôn, onde aconteceu o último ATM-SC, em que não pude estar presente.
Feliz da vida, nada como começar uma temporada em alto estilo em uma parede tão imponente como aquela. E la foi o magrélo, fiquei o sábado o dia todo puxando um halbag pra cima, enquanto o Ronchi e o Calvette conquistavam a próxima cordada, para chegar no final do dia com o Filipe desescalando um trecho exposto porque tinha acabado a fenda e ele achava que era platô, e eu tive de devolver o halbag pro chão! (kkk). A idéia era dormir na parede... Beleza, não deu não deu, amanha tem mais.
No domingo, mais uma sandalhada do Paredôn, pego CAMs de tudo que é tamanho e TENTO guiar a primeira cordada da Excrecência em meio a árvores e rocha, me perco todo por causa da corda dupla ao qual não estou acostumado a usar e volto logo de cara, com os parceiros também dando pra traz! Filipe ja tinha guiado ali, e Geferson estava jururu ( . )
Eu voltar em alto estilo? Quem sou eu? Acho que foi em BAIXO estilo, isso sim. (kkk)

 

Uma semana e mais uns dias se passaram e mando a mensagem pro Filipe: Blue Canion? Resposta dele: "é uma!" Mechemos o bolo, carregamos as tralhas e bora subi o Canion! Passamos dois dias la. Filipe Ronchi "Capitão Abelha" (Carinhoso apelido que dei a ele) passa a se enfiar na fenda da Via Jamais, que estava com uma cordada "mijada" por mim e pelo Geferson. Capitão Abelha passa correndo pela primeira parte e entra na chaminé, protegendo com um CAM4 e logo faz um movie, que olha, o que que era aquilo! Saiu da chaminé se entalando de forma impressionante com os punhos, pés e tudo que tem direito para liberar este lance que eu havia passado pisando numa fitinha! Toca mais uns 5 metros com CAMs3 e 4 repetidos e logo o antebraço TRINCA! Via extremamente constante, quem tem técnica se entala, quem não tem vai de oposição até aguentar... Filipe finaliza em alto estilo e abre mais uma cordada na via, LINDA, uma chaminé com fenda dentro, faz uns lances aéreos e logo chega num plato, bate 3 pinos e la vai nós! Abro mais uma cordada pensando que levaria ao cume, mas logo sou barrado por uma chaminé musguenta, mas com uma ótima árvore para rapel, que termina bem encima da cozinha no acampamento, e acaba por ai. Mas a via ficou TOP até ali, pontos pra nós!
Renato "Opalão" no entalamento de mãos duplas
Domingo, saio da minha barraca de selva, Filipe e Renato Ronchi do bivaque, tomamos um baita café serrano e logo estou pendurando os CAMs denovo pra mais uma nova linha nesta IMENSIDÃO de fendas! Sai a Via Sinfonia da Lentilha. (Por motivos educacionais, não vou explicar o porque do nome, mas para bom entendedor, essa frase basta! kkk). Resolvemos deixar 90% das tralhas por lá e voltar na outra semana.

  
Voltamos no outro final de semana já na sexta-feira anoite, na companhia do escalador Claudiney Gloor, de Cambé - PR, grande parceria! Fizemos mais um trampo pra finalizar a parada da via Sinfonia da Lentilha e logo saímos a repetir a Jamais. Entro guiando depois de o Claudiney analisar, e chego na saída da chaminé, tento fazer o "balé" do Capitão Abelha e não me acerto. Então vamos na "ogrosidade" mesmo, faço um movie e saio na oposição gritando igual um garnisé e consigo tirar em livre também, desta vez sem pisar na fitinha. Toco mais um pouco com os CAMs3 e 4 repetidos e logo vem o trecho do "trinca braço" e paro pra descansar. QUEM SOU EU pra guiar tudo aquilo sem parar pra descansar! Logo chego na primeira parada e resolvo ja linkar a segunda cordada da chaminé que o Filipe abriu semana passada, e paço um lance em livre em que o Filipe na conquista pisou na fitinha, um lance aéreo antes de entrar na chaminé, tipo um boulderzinho em meio a blocos meio que querendo soltar mas não solta. Ai depois é só alegria dentro da chaminézinha fendada. Claudiney vem de segundo limpando. Filipe guia a última e logo finalizam no "rapel da cozinha". Sai um café com sorriso nas orelhas e logo o Claudiney pega o caminho da roça.

Nando-Grillo: conquista da Via Sinfonia da Lentilha
Dominguera acordamos e o que fazer?? Bora iniciar mais uma linha, e Capitão Abelha sai guiando uma chaminé com árvores junto e logo chega na fenda e começa a dizer: "Grillo essa é lindaaaaaaa", e vai que vai, até chegar num lance aéreo de travessia e chegando num trecho da fenda grita "Abelha"! Pensei que era  o grito de guerra dele... Saiu montando um rapel na roubada e vazou do lance... uma pena. O cagão teve tanta sorte que tinha um galho de árvore na fenda bem onde ele chegou nas abelhas... Mas como fenda é o que não falta, ele vem limpando uma outra fenda neste mesmo trecho mais abaixo, e ja sai no pinóte guiando o que seria a Via Quem Sou Eu, com vários CAMs3 e 4 repetidos pra variar. Encerramos o domingo com as mochilas trolhadas de coisa e uma chuva no lombo, pra fechar com chave de ouro mais um final de semana. Agradeço ao Deus Criador, minha esposa pela paciência e colaboração, e aos parceiros Filipe e Renato Ronchi, Geferson Calvette e Paulo "Bote" por emprestar o saco de dormir. Bom inicio de temporada. Que venha o cume ( . )

 

Filipe conquistando a Via Quem Sou Eu
Claudiney limpando a segunda cordada da Jamais.



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