Corpo do montanhista Bernardo Collares desaparece no Fitz Roy


 "Será que o estado de saúde de Bernardo não era tão ruim quanto as previsões pessimistas que o condenaram, e ele arrumou a mochila, abandonando alguns itens, tentando salvar-se, ante a demora do resgate, tendo queda fatal em outro lugar? Quanto tempo ele esperou? O que sofreu?"
-- Heliane D. Collares
Fonte: http://espn.estadao.com.br/eliseufrechou/post/183527_CORPO+DO+MONTANHISTA+BERNARDO+COLLARES+DESAPARECE+NO+FITZ+ROY

Bernardo Collares
Bernardo Collares
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Na última sexta-feira, a sra. Heliane Collares, mãe do montanhista e querido amigo Bernardo Collares, que faleceu no início de janeiro no monte Fitz Roy, Argerntina, postou uma carta no Facebook de Bernardo, que agora é gerenciado pela família, no mínimo estarrecedora e revoltante, pois indica que Bernardo provavelmente esteve consciente tempo o suficiente para ter esperado por ajuda.
A carta, assim como a foto, estão reproduzidas abaixo.

"Após todo o sofrimento pelas tentativas frustradas de salvar o Bernardo, após tantos "nãos" para nossos apelos pelo resgate, recebemos a notícia de que o corpo do MEU FILHO não se encontra no local onde sua parceira o deixou VIVO, em 03/1/11.
Fotos tiradas em fevereiro constataram que, no local, só permanecem algumas barras de cereal, uma corda (identificada pela Kika como sendo a da ancoragem de Bernardo), o cantil, um bujão de gás para fogareiro, um stopper,uma piqueta e um par de sapatilhas de escalada.
Inexplicável!

Várias indagações podem ser feitas a partir desse fato.

Será que o estado de saúde de Bernardo não era tão ruim quanto as previsões pessimistas que o condenaram, e ele arrumou a mochila, abandonando alguns itens, tentando salvar-se, ante a demora do resgate, tendo queda fatal em outro lugar? Quanto tempo ele esperou? O que sofreu?
Será que saqueadores estiveram lá (onde nos diziam que ninguém conseguiria ir para ajudá-lo), levando o que tinha valor e empurrando o corpo no precipício?

Como, após tantos dias, barras de cereal permaneceram num lugar em que nos falaram de terríveis ventos que inviabilizavam vôos de helicópteros?

Como nos propusemos a falar somente do que podemos provar aqui nos limitamos a lançar as interrogações, que permanecem como facas nos nossos corações.

As fotos foram encaminhadas ao Itamaraty, com requerimento no sentido de que se reabra processo judicial que tramitou na Argentina, com novas investigações e resgate do corpo. Na carta, informamos, ainda, que, pelas informações preliminares recebidas dos montanhistas locais, o corpo deve se encontrar no glaciar, a 1000 metros abaixo, próximo à "grande canaleta", em local que pode ser atingido inclusive sem escalada e onde foram resgatadas duas pessoas no ano passado.


E agora, aqueles que nos falaram com tanta certeza de que Bernardo morrera nas primeiras horas do acidente, de hipotermia, teriam as respostas de que nós precisamos para dormir em paz?

E eles, será que têm a consciência livre da culpa por seu amadorismo ter concorrido para a morte de uma pessoa?"

Heliane Damiano Collares (mãe do Bernardo)


Platô onde Bernardo foi deixado após o acidente
Platô onde Bernardo foi deixado após o acidente;
Desde o momento em que recebi a mensagem do acidente do Bernardo, e até agora, estou me indagando o mesmo que a família: porque não foi sequer esboçada uma tentativa de resgate? Ao que se prestam os resgatistas argentinos? Porque não tentaram ao menos terem a certeza da morte de nosso amigo? Mas agora que isso foi negado à todos nós que conheciam o Berna, que ao menos não seja retirado da família o direito, mínimo, de enterrar seu ente querido.

Um comentário:

  1. Rodrigo Collares Arantes comentou:
    Esta foto foi tirada no primeiro dia da escalada irresponsável e fatídica. Dois dias depois começariam os problemas.
    Largado lá em cima para morrer pelas pessoas que poderiam fazer alguma coisa e se limitaram a declarar sua morte prematura logo nos primeiros dias;
    Ignorado pelas autoridades argentina e brasileira na tentativa de viabilizar algum resgate durante os dias que se seguiram
    Esquecido, por aqueles que dentro da Femerj o chamavam de “ETERNO”, nos 15 meses que se seguiram ao acidente
    Abandonado lá em cima (ou em qualquer outro lugar) por aqueles que ele sempre fez questão de viabilizar o resgate (alpinistas brasileiros). 10 brasileiros fizeram o cume pelo mesmo caminho do Bernardo em um autêntico “passeio no parque” em fevereiro de 2012 para um lugar que inicialmente diziam ser impossível chegar. E todos se negaram a ajudar ou mesmo dizer alguma coisa eu teriam visto;
    A grande verdade é que, além de não fazerem nada, os alpinistas brasileiros ainda tentaram convencer os poucos brasileiros que se prontificaram a ajudar a não fazerem nada. Atitude de marginais que tentaram, a todo custo, encobrir alguma coisa que não querem que apareça. Só não sabemos o que.
    Os poucos brasileiros que se prontificaram a ajudar (e ajudaram muito) nos pediram segredo por medo de pressões de pessoas importantes no montanhismo brasileiro.
    Infelizmente para eles, algumas verdades começam a aparecer:
    1- A Gendarmeria começa a fazer as mesmas perguntas que nós fizemos no início e nos chamaram de tolos;
    2- As versões de morte por hipotermia nas primeiras horas ou de queda acidental “caíram por terra” depois de contratarmos 5 gringos (isto mesmo, 5 gringos) que vasculharam toda a base da supercanaleta e áreas próximas onde ele deveria estar se as primeiras versões fossem verdadeiras.
    3- Restou, por enquanto, apenas a tese de tentativa de autoresgate, o que reforça que nossos pedidos iniciais tinham todo o sentido;
    4- Fica a pergunta do porque da pressão por não ajudar no resgate do corpo
    5- Fica a sensação de que a operação abafa ainda não acabou.
    Espero que cada uma dessas pessoas possa dormir tranquilo. Porque eu posso.
    Abraço
    4 de Junho às 21:21
    ·
    Heliane Collares Vc disse tudo meu filho Rodrigo Collares Arantes.Qdo vc começou a questionar a veracidade da versão oficial, logo em seguida ao acidente, causou reações furiosas das pessoas que a aceitaram numa vassalagem voluntária. Na época, nós não dormiamos e estávamos perplexos com o decorrer dos acontecimentos. Saber que há uma pessoa viva esperando pelo resgate que ele mesmo pediu e a partir de uma avaliação equivocada, errada, decidiram que ele teria morrido na primeira noite! Como vc bem o disse. Será que eles dormem hoje??? E querem deixar o corpo dele poluindo um lugar considerado SAGRADO, por todos! As faces se deformando por causa do frio, como aqueles das fotos do Everest... Não, MEU FILHO não !!!!!!!!!! ·

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