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Via Tradicional - Não Seja Um Tchangalanga 8º VIIIC/IXA/A1/A0 E2 130M

Ja contei essa história para algumas pessoas, mas vale a pena começar esse relato relembrando isso. Um dia indo conhecer a Pedra Branca de Praia Grande com meu amigo escalador e Base Jumper Eduardo Geovani Sorriso RIP, que estava indo fazer um reconhecimento para saltar de Base da Pedra Branca e, lá do cume da pedra, olhando para baixo as curvas do rio, avistei uma falésia lindíssima, que hoje conhecemos como Setor Novo Vale Encantado. No outro dia fui la com Filipe Ronchi e iniciamos o setor. Voltei muitas vezes com Filipe, depois consegui convencer o Tattu a nos ajudar abrir vias, também voltei com outros parceiros de seg e hoje existe esse setor maravilhoso, na beira de um rio de agua limpa e pura. La debaixo no setor do Paredão, é praticamente impossível não ficar admirando a imponente Pedra Branca!

Sempre tive em mente conquistar uma via la, no meio daquela incrível parede. Foram anos se dedicando ao Setor do Paredão e sempre sonhando na Pedra Branca... Neste ano de 2026 consegui colocar o plano em ação. Convidei meu amigo Frank Lummertz para me dar ség na primeira investida e Lucas Custódio que também foi fundamental em nos ajudar a carregar material acima até a base da parede e limpeza da trilha que estava muito abandonada.

A Pedra Branca é simplesmente incrível! Possui vias super clássicas e também expostas e bem antigas. Vias abertas abertas pelos escaladores Carlos Caloca, Ricardo Rato, Logan e Fabio Selau. Eu já havia escalado a clássica Urubu Rei aberta pelo escalador Caloca e Logan. Minha meta era conquistar uma linha bem no meio no Head Hall da parede que ainda não havia nenhuma via aberta por ali, e indo diretamente até o cume. Olhando de baixo a parede é bem imponente, com vários diedros gigantes, tetos e negativos enormes lisos sem agarras. Conversando com tio Frank para decidir por onde começar, escolhi uma saída de agarras muito legal, que a principio não parecia muito forte mas acabou já de cara mostrando que tudo isso não seria nada simples. Que ousadia achar que iria ser um sexto grau. Caiu por terra na hora! rsrsrs

  

A P1 ficou uma enfiada de 20 metros com graduação na casa de 8A em livre ou um artificial em A1. Inclusive muito legal de fazer. Furos de clifs e agarras e chapas constantes. Alias o foco dessa conquista seria fazer uma via bem protegida, para que os escaladores sintam desejo de ir repetir e, sinceramente ficou um clássico! São enfiadas com no máximo 28 metros e sempre muito bem protegidas em chapas e peças móveis, com enfiadas mistas. É necessário apenas um jogo de camalotes e micro peças. (Informações de cada enfiada se encontra no croqui aqui publicado).

A P2 ficou com 28 metros com graduação por volta de 8B/C (graduação Brasileira) em livre ou artificial A1, com o final em móvel passando pelo Bloco da Geladeira a qual apelidamos. Ja a P3 é uma travessia curta de 10 metros graduada em 7C ou também em A1 desviando de um teto negativo. A P4 é outro diedro absurdo de 25 metros. Uma enfiada mista e super aérea ate um outro negativo enorme bem no meio da parede. Dessa enfiada avistasse outros tetos e negativos, dando assim na via, uma sensação de dificuldade muito interessante e desafiadora. Porem repito, a via é super protegida! Enfim, da P4 para P5 ficou uma enfiada absurdamente incrível também, com um lance exposto na saída, porem um lance de travessia de terceiro grau no máximo, protegendo em duas raízes R3 e R1 (a primeira bem provável não segura queda) até proteger em móvel com Cam#1 e depois entra num diedro passando por chapas embaixo de um enorme negativo. Essa pra mim é a enfiada mais dura em livre, e deve ficar na casa de um 8C/9A levando em consideração as agarras que fiquei em clifs. Simplesmente épico essa enfiada! Não quer fazer em livre, faz em A1/A0.

Da P5 para a P6 cume! Mais 25 metros. Até que enfim um lance de 6sup! Lindíssima também. Sai protegendo em chapas ate dominar o platô e logo chega na canaleta fendada que leva ao cume. Bem honestamente falando, e eternamente agradecido aos meus amigos Frank Lummertz e Ricardo Leffa que, sem eles essa conquista não teria acontecido. Me senti muito seguro em seguir conquistando e varando cada diedro cada negativo complexo, pois estava com um time de primeira comigo! Tio Frank eu ja havia escalado com ele varias vezes inclusive pela Argentina. Mas o Leffa eu ainda não havia escalado, e o cara simplesmente deu aula em segurança com as cordas e é um Base Jumper mais sinistros que conheço. Os dois são também canionistas experientes e sabem trabalhar e organizar muito bem os equipamentos e isso faz total diferença numa conquista dessas! Foram 3 finais de semana para conseguir alcançar o cume. Era lento a conquista e sempre pensando por onde passar, para que a via ficasse com qualidade e segurança. CARAS, vocês são demais amigos! 

DRIVE DE IMAGENS
https://photos.app.goo.gl/6BtQ1X643L6URyKQ7

Ja o nome da via, escolhemos com muito carinho: 

NÃO SEJA UM TCHANGALANGA.
Isso foi em homenagem ao grande legend master of stone Ricardo Baltazar RATO RIP. Grande escalador dos Aparatos da Serra e um dos precursores da escalada na Pedra Branca, abrindo vias clássicas como a Ratazana, Xokleng, Decisão e Jararaca. A homenagem faz jus aos 7 mandamentos de Ricardo Rato, sendo esse o 5º escrito no livro Montanhas Underground, publicado pelo professor, escritor, canyonista e escalador Frank Cardoso Lummertz. 

Muito obrigado ao amigo Eliseu Pereira da Ubuntu por todo suporte a equipe e aquela velha parceria de sempre. E ao amigo Gabriel Vieira pela limpeza em algumas das enfiadas.
Foi um enorme prazer realizar essa conquista, que é a primeira de outras nessa parede linda!

Glórias a Deus por tudo isso! Amém!
"No teu colo, ó altíssimo, não há ferrolhos nem portas, que se fecham diante da tua voz, não ha doença, nem culpa, que fiquem de pé diante de nós. E a tempestade se acalma na voz daquele que tudo criou!" 

Forte abraço.
Nando Grillo

CROQUI